Arquivos
 14/06/2009 a 20/06/2009
 07/06/2009 a 13/06/2009
 17/05/2009 a 23/05/2009
 03/05/2009 a 09/05/2009
 26/04/2009 a 02/05/2009
 19/04/2009 a 25/04/2009
 12/04/2009 a 18/04/2009
 05/04/2009 a 11/04/2009
 29/03/2009 a 04/04/2009
 15/03/2009 a 21/03/2009
 08/03/2009 a 14/03/2009
 01/03/2009 a 07/03/2009
 08/02/2009 a 14/02/2009
 01/02/2009 a 07/02/2009
 25/01/2009 a 31/01/2009
 18/01/2009 a 24/01/2009
 11/01/2009 a 17/01/2009
 04/01/2009 a 10/01/2009
 21/12/2008 a 27/12/2008
 14/12/2008 a 20/12/2008
 07/12/2008 a 13/12/2008
 23/11/2008 a 29/11/2008
 16/11/2008 a 22/11/2008
 09/11/2008 a 15/11/2008
 02/11/2008 a 08/11/2008
 26/10/2008 a 01/11/2008
 12/10/2008 a 18/10/2008
 05/10/2008 a 11/10/2008
 28/09/2008 a 04/10/2008
 21/09/2008 a 27/09/2008
 14/09/2008 a 20/09/2008
 07/09/2008 a 13/09/2008
 31/08/2008 a 06/09/2008
 17/08/2008 a 23/08/2008
 10/08/2008 a 16/08/2008
 03/08/2008 a 09/08/2008
 27/07/2008 a 02/08/2008
 20/07/2008 a 26/07/2008
 13/07/2008 a 19/07/2008
 06/07/2008 a 12/07/2008
 29/06/2008 a 05/07/2008
 22/06/2008 a 28/06/2008
 15/06/2008 a 21/06/2008
 08/06/2008 a 14/06/2008
 01/06/2008 a 07/06/2008
 27/04/2008 a 03/05/2008
 20/04/2008 a 26/04/2008
 06/04/2008 a 12/04/2008
 23/03/2008 a 29/03/2008
 16/03/2008 a 22/03/2008
 09/03/2008 a 15/03/2008
 02/03/2008 a 08/03/2008
 24/02/2008 a 01/03/2008
 17/02/2008 a 23/02/2008
 10/02/2008 a 16/02/2008
 27/01/2008 a 02/02/2008
 20/01/2008 a 26/01/2008
 13/01/2008 a 19/01/2008
 23/12/2007 a 29/12/2007
 16/12/2007 a 22/12/2007
 09/12/2007 a 15/12/2007
 02/12/2007 a 08/12/2007
 25/11/2007 a 01/12/2007
 18/11/2007 a 24/11/2007
 11/11/2007 a 17/11/2007
 04/11/2007 a 10/11/2007
 28/10/2007 a 03/11/2007
 14/10/2007 a 20/10/2007
 07/10/2007 a 13/10/2007
 30/09/2007 a 06/10/2007
 23/09/2007 a 29/09/2007
 09/09/2007 a 15/09/2007
 26/08/2007 a 01/09/2007
 19/08/2007 a 25/08/2007
 12/08/2007 a 18/08/2007
 05/08/2007 a 11/08/2007
 29/07/2007 a 04/08/2007
 22/07/2007 a 28/07/2007
 15/07/2007 a 21/07/2007
 01/07/2007 a 07/07/2007
 24/06/2007 a 30/06/2007
 17/06/2007 a 23/06/2007
 10/06/2007 a 16/06/2007
 03/06/2007 a 09/06/2007
 27/05/2007 a 02/06/2007
 20/05/2007 a 26/05/2007
 13/05/2007 a 19/05/2007
 29/04/2007 a 05/05/2007
 22/04/2007 a 28/04/2007
 15/04/2007 a 21/04/2007
 08/04/2007 a 14/04/2007
 11/03/2007 a 17/03/2007
 17/12/2006 a 23/12/2006

Votação
 Dê uma nota para meu blog

Outros links
 UOL - O melhor conteúdo
 BOL - E-mail grátis




Blog de nicomedesoliveira
 


MOVIMENTO ENCONTRO DE UTOPIAS
São Paulo, Brazil
"Sonho que se sonha só, é só um sonho que se sonha só. Mas sonho que se sonha junto é realidade".

Raul Seixas

O Movimento Encontro de Utopias surgiu da necessidade de artistas, articuladores culturais e militantes socias de dar voz e vez ã expressão libertária de qualquer indivíduo ou coletivo que desejar construir e concretizar uma nova política cultural.
Partimos do princípio que é fundamental o respeito às diversidades culturais, à toda e qualquer expressão humana que represente uma legitima aspiração popular.Nosso primeiro passo consiste na criação de um sarau aberto a qualquer manifestação socio-cultural por considerarmos esse um espaço democrático de apresentação por excelencia, por não necessitar passar pelo crivo da mídia.


E nosso primeiro Sarau Encontro de Utopias na caixa de Pandora será realizado dia 21/06 - domingo das 15hs às 22hs no Restaurante Pandora que fica na Praça Roosevelt, ao lado do Extra supermercado.

Visitem nosso blog:

http://encontrodeutopias.blogspot.com/2009/06/nosso-pontape-inicial.html


cadastre-se no nosso grupo:
Não esqueçam de visitar meu blog:

encontro-de-utopias@googlegroups.com, www.notasdenoitesdeinsonia.blig.ig.com.bR
 
 
 

 

__,_._,___



Escrito por nicomedesoliveira às 17h12
[] [envie esta mensagem
]





-DULCINÉIA CATADORA
ALICE RUIZ

 




Escrito por nicomedesoliveira às 15h18
[] [envie esta mensagem
]





ARTE QUE VE DA RUA,DA PERIFERIA,ARTE QUE TRANSFORMA

http://www.suburbanoconvicto.blogger.com.br/ 
 
http://www.otaboanense.com.br/poetasergiovaz/00poesia.htm
 
http://pt-br.wordpress.com/tag/rappin-hood/
 
http://www.suburbanoconvicto.blogger.com.br/
 
http://www.marildafoto.blogger.com.br/
 
 
 
A EXEMPLO DOS MANOS,SIGO TRILHANDO OS CAMINHOS DA ARTE,CULTURA DE RUA.
Saiba mais sobre o meu novo trabalho: 
http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI73276-15230,00-O+HOMEM+SEM+PAIS.html
 
www.diariotiao.zip.net 
 
 



Escrito por nicomedesoliveira às 09h05
[] [envie esta mensagem
]





Mestre,

Obrigado pela informação. Já está lá no blog, também.

Leia e deixe seu comentário também no Blog do Milton Jung
http://colunas.cbn.globoradio.globo.com/miltonjung/.

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI73276-15230,00-O+HOMEM+SEM+PAIS.html


Mílton Jung

Participe da campanha Adote um Vereador
http://vereadores.wikia.com/wiki/Página_principal

 

Morador de rua faz teatro em São Paulo

Ter, 19/05/09 por milton.jung | categoria Geral | tags , , ,



“O que é cidade de origem pra quem não tem mais para onde ir ?”
“O que é cidade de origem pra quem não tem mais para onde ir ?”, pergunta o escritor Sebastião Nicomedes que extrapolou o estigma de sem-teto que sempre lhe foi reservado fazendo arte, literatura e teatro. Ele é o autor do monólogo “O Homem Sem País” que estreia semana que vem em duas apresentações para professores e alunos da Uninove (na sede da Barra Funda, dia 25; e na de Santo Amaro, dia 26).
Em junho, Sebastião almeja ocupar apenas com moradores de rua a plateia diante do palco que será construído no Parque da Juventude, em São Paulo. Cartazes serão distribuídos em abrigos, repúblicas, albergues, casas de convivência e nas praças para mobilizar o que ele batiza de “atores principais”.
Nesta semana, foi destaque, também, na revista Época em reportagem assinada pela jornalista Eliana Brum:
Tião Nicomedes é escritor. E, por ser um homem sem teto fixo, inventou-se para ele o título de escritor de rua. Porque toda identidade dele se dá no lado de fora das portas, numa vivência entre aqueles que não apenas são destituídos de casa, como perderam os laços com família, emprego, contas a pagar, refeições com horários, finais de semana de lazer, tudo aquilo que constitui a identidade do homem inserido na sociedade, o homem bem ajustado. Tião estreia na próxima segunda-feira, num circuito de universidades e espaços alternativos, um monólogo que nomeou de “O homem sem país”. Logo abaixo, no cartaz do espetáculo, feito por ele em computadores de lan houses do centro, ele diz: “O que é cidade de origem pra quem não tem mais para onde ir?”.
É profunda a indagação de Tião Nicomedes. Perguntei a ele de onde veio essa pergunta. Tião responde que fica incomodado com programas para moradores de rua, assim como discursos de autoridades, que defendem a necessidade de devolver os sem-teto ao lugar de onde vieram. Mas, diz Tião, como voltar se não há mais nada lá?
Leia a reportagem acessando aqui

 



Escrito por nicomedesoliveira às 15h03
[] [envie esta mensagem
]





                          

                                 " O HOMEM SEM PAÍS  "

              O QUE É CIDADE DE ORIGEM PRA QUEM NÃO TEM MAIS PRA ONDE IR?

                   MONÓLOGO- COM- TIÃO NICOMEDES



Escrito por nicomedesoliveira às 17h16
[] [envie esta mensagem
]





HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL

 Prezados,

Conforme acordo em reunião com Movimentos Sociais, INSS, Caixa, SPU e Mcidades, comunico a todos que houve a decisão pela compra de 09 imóveis do INSS que serão destinados à habitação de interesse social. Esses imóveis foram vistoriados em 2008 sendo os primeiros a serem adquiridos pela União nos termos da Lei 11.481/2007 para destinação à habitação de interesse social.

A partir de agora, daremos início a todos os demais passos inerentes ao processo de operacionalização dessa compra, em conjunto com a Secretaria do Patrimônio da União e INSS, para posterior destinação vinculada aos programas habitacionais.

Pouco a pouco, estamos avançando na construção de uma política de destinação de imóveis públicos vazios e subutilizados em parceria com a Caixa, o INSS a SPU e a sociedade civil organizada.
O trabalho e os esforços de todos foram fundamentais para a concretização desta etapa.
Quero agradecer pela atenção e o empenho dos envolvidos nesse processo e reforçar que contamos com a participação e colaboração de cada um para que possamos seguir em frente.


RELAÇÃO DOS IMÓVEIS 

UF

Endereço

Bairro

Área m²

Tipo de Imóvel

Município

ES

Rodovia Carlos Lindemberg ,94

Jaburuna

1.197,00

Predio

Vila Velha

MG

Av. Castro Leite

IAPI

2.706,85

Terreno

São João Del Rey

PB

Avenida Guedes Pereira ,27

Centro

5.922,00

Predio

João Pessoa

PB

Rua Joao Gabino de Carvalho ,s/n

Mandacaru

26.500,00

Terreno

João Pessoa

RJ

Avenida Venezuela ,53

Centro

8.135,00

Predio

Rio de Janeiro

SP

Rua Conselheiro Crispiniano, 119/125/131

Centro

3.997,00

Predio

São Paulo

SP

Av. Senador Teotônio Vilela - Qd 87 -Lts 5 a 19

Interlagos

4.125,43

Terreno

São Paulo

SP

Rua Padre Benedito Maria  Cardoso, entre BL. E-8 E F-10

Moóca

4.592,33

Terreno

São Paulo

SP

R. Candinho Del Grande, 1234 / R. Eupídio Gomes, 1358 / R Soldado Reginaldo, 1339

Centro

 5.033,60 m2 

Predio

Sertãosinho

 



Atenciosamente,

Teresa Surita Jucá
Secretária Nacional de Programas Urbanos



Escrito por nicomedesoliveira às 14h51
[] [envie esta mensagem
]





Caros/as,
 
Segue informações acerca do Prêmio da Igualdade Racial, promovido pelo ONG Criar Brasil e pela Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial – Seppir.
 
Gentileza socializar a informação junto à sua rede de contatos.
 
Abs,
--
Eulália Sombra
NEAFRO-UCB
+55(61)9907.7124
e-mail: 
eulalia.sombra@gmail.com
Página: www.neafro-ucb.blogspot.com


"Antes de imprimir pense em seu compromisso com o Meio Ambiente!"
..................................
 
Prêmio da Igualdade Racial
Divulgar e premiar iniciativas que auxiliem na redução das desigualdades raciais e desempenhem papel de luta pela cidadania e melhores condições de vida.
 
Esse é o objetivo do Prêmio da Igualdade Racial, promovido pelo Criar Brasil, ONG que tem como uma de suas missões democratizar a informação, e pela Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial – Seppir. As inscrições podem ser feitas no período de 27 de abril a 27 de maio.
 
A idéia é descobrir iniciativas que promovam uma cultura não-discriminatória através de atividades que assegurem à população, independente de suacor, o exercício pleno de cidadania. Vão ser escolhidos os cinco projetos mais expressivos na redução das desigualdades raciais. “Premiar estas iniciativas é fundamental para estimular a sua continuidade e plantar outras sementes, promovendo sua replicabilidade pelo Brasil afora”, afirma João Paulo Malerba, coordenador do Prêmio da Igualdade Racial.
 
Para participar, além da ficha de inscrição, o candidato deve enviar um portfólio, através de CD ou DVD, contendo material de texto, áudio, fotos ou vídeos que julgar necessário para expressar o perfil da iniciativa. Além desse material, os concorrentes podem apresentar depoimentos, matérias em jornais, cartazes, convites ou outras formas de registro, que julguem importantes para a avaliação do mesmo.
 
O resultado da seleção sai no dia 27 de julho. As iniciativas serão escolhidas por um corpo de jurados que representa o movimento negro, indicado pela Seppir: Lúcia Xavier, Edialeda Salgado Nascimento e Walter Silvério.
 
Após a divulgação do resultado, o Criar Brasil vai visitar esses projetos para fazer o registro em foto, vídeo e áudio. O material servirá como base para a produção de programas radiofônicos, que serão distribuídos para 400 rádios comunitárias e educativas e disponibilizados pela internet. Além disso, os registros vão endossar uma publicação impressa, que tem como objetivo documentar e dar visibilidade às iniciativas que buscam a igualdade racial em todo o país. Os cinco escolhidos receberão ainda um prêmio em dinheiro, que varia entre dois e três mil reais.

Serviço:
Prêmio da Igualdade Racial
Data:de 27 de abril a 27 de maio
Inscrição: Preencher a ficha com os dados do projeto e material em CD ou DVD que mostre a iniciativa.
Local de entrega:Criar Brasil – Teotônio Regadas, 26 sala 403 – Lapa - Rio de Janeiro – RJ CEP: 20021-360.
Edital e demais informações sobre o prêmio:
www.criarbrasil.org.br ou pelo email premio@criarbrasil.org.br.




Escrito por nicomedesoliveira às 11h16
[] [envie esta mensagem
]





Anexos: 1 anexo

o homem ...doc (44,3 KB)

NOVO ESPETÁCULO -TIÃO NICOMEDES



Escrito por nicomedesoliveira às 10h55
[] [envie esta mensagem
]





Sobreviventes
O que nos faz continuar vivendo depois um grande trauma? Gente que beijou o limo do fundo do poço e voltou para contar sua história
Eliane Brum
 
ELIANE BRUM
ebrum@edglobo.com.br
Repórter especial de ÉPOCA, integra a equipe da revista desde 2000. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de Jornalismo. É autora de A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua (Globo)

Acabo de assistir ao documentário “Sobreviventes”, de Miriam Chnaiderman e Reinaldo Pinheiro. Pela segunda vez. Explico. Na primeira vez, na última quinta-feira, quando passou na TV Cultura, ele mexeu tanto com o que há de mais enterrado em mim que apaguei, sentada, diante da televisão. Apaguei no depoimento da diretora de teatro Tiche Vianna, que um dia saiu para dar uma aula, grávida de oito meses, e foi interceptada por um caminhão. Ficou em coma. Teve três paradas cardiorrespiratórias e perdeu um pulmão. Seu bebê foi arrancado de dentro dela. Quando despertou, semanas depois, ainda sem conhecer o filho, ela disse: “Tragam o Miguel”. Colocou-o contra o rosto, sentiu a sua pele macia, aquela “vida muito nova”, e descobriu não apenas que podia, mas que desejava viver.

Não foi nessa parte que eu apaguei. Foi quando ela disse a seguinte frase: “O espectador não é um contemplador. Minha função é tirar o espectador do conforto, do resolvido, e colocá-lo diante do desafio da escolha. A vida para mim é uma coisa muito palpável, porque a morte saiu do universo da abstração”. Tiche falava sobre a mudança de sua relação com o teatro depois de ter morrido e renascido no instante em que seu filho nasceu.

Eu apaguei num sono de fuga. Despertei no meio da madrugada, sentada no sofá da sala, remexida por dentro, esfarrapada. Voltei a dormir, dessa vez na cama, depois de alguma insônia e de muitos conflitos. Acordei feliz. Descobri que há muito tempo eu venho fazendo a minha escolha, que é reeditada diariamente, que se reinventa a cada amanhecer, que volta atrás em pequenas covardias, que se perde seguidamente para ser encontrada mais adiante. Às vezes me confundo e esqueço que fiz uma escolha, aí preciso que alguém me lembre. Minha escolha depois de uma vida de muitos pequenos traumas, alguns grandes, é viver para além da zona de conforto, na busca radical por chegar mais perto de mim mesma, seja lá o que isso signifique.

Minha escolha foi feita 27 anos atrás, quando minha filha nasceu. Eu estava estilhaçada por
dentro, tinha 15 anos e me sentia literalmente em cacos, uma pessoa feita de estilhaços, por uma série de vivências que pertencem apenas a mim. Como um vaso quebrado em pedaços muito pequenos, eu sabia que me colar era impossível. Isso eu sabia. O que eu não sabia era como ser mãe. Maíra, porém, sabia que eu era sua mãe.

Desde sempre ela me reconheceu. Naquele olhar de bebê recém-emerso dos meus confins, ela me dizia que eu era sua mãe. E então, lentamente, com dificuldade, eu me tornei mãe da Maíra. E mais lentamente ainda eu descobri que sobreviver não é colar os pedaços. Não há como colar. O que a gente pode fazer é pegar aqueles pedaços todos e se reinventar. Com todas as nossas fissuras, com todas as nossas marcas, com toda a nossa história inscrita nesse corpo ao mesmo tempo íntegro e costurado pela trama raramente regular da vida.
Hoje Maíra cria um sentido para sua vida, com dificuldade, com fúria, com paixão e com uma generosidade que é só dela. E sou eu que a olho com um amor tão grande que parece às vezes não caber dentro de mim. Mas sigo me buscando, para além dela e para dentro de mim. Por isso dormi naquele ponto do filme, depois um ano de perdas as mais variadas, de um profundo confronto com a finitude da vida e das histórias de amor interrompidas antes do final. E acordei para viver.

Consegui então assistir ao “Sobreviventes” até o fim. Assistir, não. Fui tirada do “conforto, do resolvido”. Há muito tempo algo não me impactava tanto. Da primeira à última frase cinematográfica. Não sou capaz de teorizar sobre o que é arte, mas sei que entrei em contato com ela quando algo me transforma, como nesse documentário. Dos depoimentos ao mesmo tempo terríveis e belos à estética do filme, entre os limites das paredes de tijolos e a passagem do trem, ele não tem sobras. É todo contido para que nós, os espectadores, possamos transbordar. As pessoas dão seus depoimentos sentadas numa poltrona, mas nós somos arrancados da nossa. É uma pena que exista tão pouco espaço para os documentários nacionais. “Sobreviventes” deveria estar nos melhores cinemas – e passando de graça nas lajes do Brasil.

Um dos depoimentos é do cineasta Jean-Claude Bernardet, soropositivo. É arrasador. Ele leva todos nós, que sabemos que vamos morrer, mas não sabemos quando, a uma reflexão profunda: “Minha vida se transforma depois da meningite. A partir desse momento eu era sujeito a uma morte a curto prazo. Eu estava já com a morte inscrita. Só que, para mim, ela foi uma libertação. Uma libertação bastante grande e bastante produtiva. Foi uma época de muita produção de filmes, roteiros. Usei isso para me projetar para frente, para me abrir...” Ele continua: “Com o coquetel, minha carga viral baixou, eu tinha uma nova chance. Mas minha cabeça tinha se organizado no sentido de uma vida ativa, às vezes de provocação, de não aceitar o que me desagradava e de morte breve. Depois de todos os esforços que eu fiz, agora tinha de reorganizar minha cabeça em função de uma morte de prazo indefinido. E isso foi o mais difícil. A partir desse momento, pouco a pouco, a minha vida se tornou menos interessante”.

Há mais. Cada testemunho nos carrega para uma inquietação além. Tião Nicomedes, que se tornou morador de rua depois de uma queda num acidente de trabalho, abandonado pela família, pelos amigos e pela mulher com quem estava de casamento marcado, sem nenhum olhar onde se reconhecer, perguntava à enfermeira no hospital: “Eu estou morto?”. Bell Marcondes, na luta contra a dependência da cocaína, conta: “A cocaína atenuava a dor de viver. É um esforço que eu gasto, diariamente, pra não usar, ele rouba toda minha energia. Porque depois que tirou a droga, voltou para aquela moça que não tem habilidade para viver”. Dermi Azevedo, torturado pela ditadura junto com a mulher e o filho de um ano e meio, afirma: “O torturador retira a vida das pessoas, a vida interior. A gente deixa de ser sujeito, se despersonaliza, desaparece como pessoa. Eu não tenho rancor, eu tenho memória”. Risonete Fernandes, internada várias vezes em hospitais psiquiátricos e tratada com eletrochoque, diz: “Fui quase apagada diversas vezes. Mas a vida ainda está dentro de mim”. E Luiz Alberto Mendes, ex-presidiário, assassino, escritor, nos provoca: “Dizem que o poder corrompe, mas a falta de poder corrompe muito mais. Sem ter poder sobre você mesmo, você se deteriora, perde a vontade de viver. E tudo o que eu tenho é vontade de viver. Sabe o que é, meu, desde que nasci eu nunca coube dentro da minha vida”.

Os diretores Miriam Chnaiderman, que além de documentarista é psicanalista, e Reinaldo Pinheiro, tiveram o reconhecimento da confiança de seus entrevistados. Os depoimentos contêm uma entrega contundente. Miriam e Reinaldo não arrancam nada de ninguém, apenas escutam. A câmera foca a boca, por onde a voz se liberta em forma de discurso. Os pés que batem, nervosos, no chão. As mãos que se crispam, as unhas que carregam fragmentos do mundo. E as marcas. Elas causaram meu primeiro arrebatamento ao ver o filme. Todas as marcas são apreendidas pela câmera, devassadas por uma luz terna. Pela primeira vez, não vi as rugas, as olheiras, as cicatrizes como algo feio, sinal da degeneração do corpo, da proximidade da morte.

Achei todos tão belos não apesar das marcas, mas por causa delas. O filme me levou a apreender, não racionalmente, como sempre fiz, mas pela vivência das cenas, as marcas como inscrição da vida. E ao me olhar no espelho, depois, reconheci também as minhas como história. Tenho minha vida contada em meu corpo. Nós todos temos. Pode haver testemunho mais eloquente que esse?

Por que sobrevivemos à grande queda ou às sequências de pequenos, mas dolorosos tombos? Porque não sobrevivemos. Percebo que não há como sobreviver, só o que podemos fazer é viver. Reinventar a vida incluindo nela o sangue, o barro e o limo do fundo do poço. Criar um sentido para o que aparentemente não tem nenhum. Não existem sobreviventes. O que existe são viventes.

(Eliane Brum escreve às segundas-feiras)

>



Escrito por nicomedesoliveira às 16h11
[] [envie esta mensagem
]





Esta mudança te interessa!

 

Um grande debate está sendo travado no Brasil sobre o novo Programa de Fomento e Incentivo à Cultura (Profic), que substituirá o Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac) instituído pela Lei Rouanet, maior fonte de financiamento da produção cultural do Brasil, hoje, da ordem de 1 bilhão e 200 milhões de reais anuais.

 

A grande novidade do novo Programa é a criação de Fundos Setoriais específicos para a Diversidade Cultural, dentre eles o Fundo Setorial da Cidadania, Identidade e Diversidade Cultural, e o Fundo Setorial da Memória e Patrimônio Cultural Brasileiro. A gestão destes fundos setoriais terá a participação direta de representantes dos segmentos implicados.

 

Compareça e participe dessa Discussão!

 

Dia: 29/04/2009 - Horário: 14h

 

Local: Foyer da Sala BNDES - Cinemateca Brasileira -

Largo Senador Raul Cardoso, 207 - Vila Clementino - São Paulo

*Confirme sua presença pelo endereço eletrônico: leiliane.sousa@cultura.gov.br;

 

Informações: (61) 3316 2129

 

Defenda os seus interesses! Participe!

 

Conheça a proposta do MinC.

 

•Acesse o texto do projeto de lei, na íntegra, na página da Casa Civil da Presidência da República (http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/consulta_publica/programa_fomento.htm)

• Acesse a cartilha do MinC que explica a reforma, ponto a ponto;

• Acesse uma apresentação mais detalhada acerca da reforma;

• Acompanhe as discussões e debates no rádio, nos jornais e telejornais, em diversos sites na internet.

• Blog da reforma no site do Ministério da Cultura: http://blogs.cultura.gov.br/blogdarouanet

 



Escrito por nicomedesoliveira às 19h16
[] [envie esta mensagem
]





 
SANGUE AINDA PODE SER ENTENDIDO POR MODO DE REVOLUÇÃO?
 
assista agoraEM CIMA DA HORA
Repórter que foi feito refém por MST conta o que ocorreu


Integrantes do MST libertaram o repórter Vitor Haor, da TV Liberal, que era mantido refém desde sábado na Fazenda Espírito Santo, em Xinguara, no sul do Pará. Haor contou o que houve à Globo News.

19/04/0900:01:24
  




Escrito por nicomedesoliveira às 07h41
[] [envie esta mensagem
]





 
Anexos: 3 anexos
 Cartilha_...pdf (422,6 KB), Relatório...pdf (1132,8 KB), ANEXO 1 -...pdf (207,7 KB)

 
Alguns de vocês entraram em contato com o Pólis para ter notícias sobre a continuidade do trabalho de acompanhamento do "Nós do Centro". Venho comunicar que, infelizmente, estamos sem recursos para a continuidade do trabalho. Esperávamos alguns recursos para este ano que não vieram (o projeto era financiado pela ActionAid e pela Care).
 
Uma das principais atividades era a pesquisa sobre a execução orçamentária, que nos dava pistas sobre o que estava acontecendo no projeto. Mas sem o financiamento não temos como pagar os profsissionais que recolhem e sistematizam os dados, por exemplo. Da equipe que estava atuando na época (Augusto - orçamento, Natasha - sistematização e acompanhamento, e Fernanda - assessoria em assistência social) apenas eu permaneci, mas envolvida com a demandas de outros projetos. Por isso também não tenho conseguido também participar das reuniões no Glicério.
 
Entendemos aqui no Pólis a importância do trabalho, os prejuízos de sua interrupção e o compromisso com o processo que iniciamos. Por isso, vamos colocar o espaço do Pólis à disposição para reuniões e encaminhamentos desse grupo que se reuniu algumas vezes em torno da discussão sobre o "Nós do Centro". Basta agendar com antecedência e marcamos uma sala aqui; também gostarei muito de participar sempre que possível.
 
Além disso, estamos mantendo um grupo de articulação pela moradia no Centro, no Gaspar Garcia. Através desse grupo, que tem como objetivo ser um espaço de formação, troca e ação, tem sido possível manter em dia as noticias sobre o que está acontecendo no Centro hoje. Passarei a mandar o convite das reuniões para essa lista também.
 
Estou enviando os últimos materiais do projeto em arquivos digitais. Ainda temos cartilhas impressas do projeto aqui, quem quiser pode passar pra pegar, é só falar comigo no 4o andar.
 
Por fim, peço desculpas pela demora em dar notícias e me coloco à disposição.
 
Obrigada,
 
Isadora
tel: 2174-6825
 


Escrito por nicomedesoliveira às 17h55
[] [envie esta mensagem
]





 
Anexos: 1 anexo
 TEATRO.jpg (799,1 KB)
VIVENDOO PROTAGONISMO

 


Escrito por nicomedesoliveira às 20h29
[] [envie esta mensagem
]





 

Uma História Severina

um caso polêmico de aborto.

24 min - 16 fev. 2007 -

Classificação 4,1 de 5,0


Ficha técnica: Direção e Roteiro Debora Diniz e Eliane Brum | Direção de Produção ... Japonês e Dinamarquês Sinopse: Severina é uma mulher que teve a ...
video.google.com/videoplay?docid=-5477027628085705086

 



Escrito por nicomedesoliveira às 11h36
[] [envie esta mensagem
]





Eliane Brum parece ser daquelas pessoas cujo texto carrega o seu próprio DNA, sua personalidade, ou outro nome qualquer que se queira dar àquela capacidade que certos autores possuem de dizer “este texto aqui é meu” com a mesma propriedade com que diriam “este coração aqui dentro é meu”. Parece sim, e causa tão forte esta impressão que embora eu a tenha visto apenas através de reportagens que escreveu e de alguns curtos emails que trocamos antes dela embarcar rumo ao norte do país com a caravana Rumos, ainda assim foi bem fácil encontrar gente que a viu um pouquinho mais de perto e concorda.

A jornalista ministra hoje em Rio Branco (AC) a oficina Em Busca do Personagem: Um Olhar Singular, que também levará a Porto Velho (RO), Macapá (AM), Boa Vista (RR) e Belém (PA). Eliane é repórter especial da revista Época, tem uma história de 20 anos na profissão e mais de 40 prêmios de reportagem ao longo deles, entre os quais o Esso, o Vladimir Herzog e o da Sociedade Interamericana de Imprensa. É também autora dos livros O Olho da Rua, A vida que ninguém vê e do esgotadíssimo Coluna Prestes: O avesso da lenda, além de co-diretora e co-roteirista do documentário Uma história severina. No corre-corre do fim de semana entre o fechamento da revista e a viagem, falou a este blog sobre a participação no Rumos, o carinho pela região Norte e coceiras na alma:

Como se deu o contato com o Rumos Itaú Cultural?

É minha primeira particição no Rumos como “oficineira”. Sempre achei o Rumos um projeto muito bacana, mas só acompanhava pela  programação. Agora, acho que sou uma “rumeira”. E eu gosto muito de todas as possibilidades que essa palavra contém.

 Como surgiu a proposta da oficina?

Em 2006 (ou 2007, não tenho certeza), eu participei de um bate-papo sobre personagens num evento promovido pelo Itaú Cultural, a convite do Claudiney Ferreira. Eu acabara de lançar um livro de reportagens sobre personagens anônimos, A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago Editorial, 2006). Foi uma ótima experiência. Desde então, tenho acompanhado mais a programação do Itaú Cultural como curiosa. No início desse ano, o Claudiney me ligou para conversar sobre a proposta da oficina. Combinamos um café numa esquina do bairro Higienópolis, em São Paulo, e lá ele me contou sobre a idéia de fazer uma oficina de reportagem, com ênfase na construção de personagens. Eu adorei a idéia, mas não sabia se conseguiria conciliar a empreitada com meu trabalho na Época e com meus outros projetos paralelos. Entre eles, um documentário para montar. Eu sempre faço várias coisas ao mesmo tempo. Quando tomamos o tal café, eu estava saindo de férias por recomendação médica, estava seriamente estressada. Fiquei de dar a resposta na volta das férias. Mas não resisti e liguei aceitando no mesmo dia.

E a idéia de levá-la para a região Norte?

Foi justamente essa a parte que eu não resisti. Eu adoro o Norte do Brasil, vivi algumas das experiências mais extraordinárias da minha vida na Amazônia. Lá, mesmo quando é ruim, é bom. E os dois únicos estados do Norte que eu não conheço são Acre e Rondônia. Então, desde que o Claudiney fez o convite, fiquei com uma coceira na alma (e nos pés). Tive de aceitar. E estou muito animada. Vou ensinar o melhor do que eu sei, mas espero aprender muito com as pessoas de lá. Uma viagem como essa é sempre uma ótima oportunidade para atravessar a rua de si mesmo e ver o mundo – e a própria vida – de outros ângulos.



Escrito por nicomedesoliveira às 12h20
[] [envie esta mensagem
]



 
  [ Ver arquivos anteriores ]