Leia o relato enviado por Sebastião Nicomedes, do Movimento Nacional da População de Rua (MNPR):
"Quinta-feira, 17/05, São Paulo. Por volta das 18h30 um alvoroço na Sé, muitos moradores de rua indignados mas calmos. Uma revolta remoída para dentro, mais pra angústia e tristeza. No jardim perto do fosso de água - um corpo esfaqueado. Já cheirando mal, cheiro podre de morte, um corpo esquecido ali, cadê a jardinagem? Cadê a Limpurb? Cadê a segurança pública? E as famosas câmeras de vigilância? Quem opera essas câmeras que não viu, não agiu, nem mesmo com atraso agiram.
Seria o caso de essas câmeras só garantirem a segurança dos turistas e fotógrafos de plantão? Servem só pra pegar camelô e desmontar feirinhas de rolo - os brechós de sapato velho e roupas usadas, radinhos de pilha e baterias imprestáveis de celular? Servem para prender os pobres e não para protegê-los, muitas vezes deles mesmos, que a cachaça vendida a preço de banana é isso mesmo - pra causar dependência química e transformar homens sadios em possíveis doentes mentais assegurados pela constante tortura psicológica que sofrem fugindo do rapa e da sociedade que insiste em combater os pobres e não a pobreza.
Cadê a secretaria de Segurança Pública, mudaram o secretário mas e a qualidade e o compromisso com a sociedade, onde entra? Ou os indigentes - como é o caso desse homem que saiu sem identificação - não contam como membros da sociedade?
O corpo seguiu pro IML Geral-Clínicas segundo o motorista do rebecão. Até as 18h50 a coordenadora do CAPE e agentes de proteção social (que encaminham pessoas pros albergues) tentavam sem sucesso levantar o nome da vítima entre os assustados moradores de rua da Sé que conhecem a lei - nessas horas, ninguém viu nada, ninguém sabe de nada".
ATÉ AS 18;50 A COORDENADORA DO CAPE E
AGENTES DE PROTEÇÃO SOCIAL(aqueles que arrumam vaga em albergue) TENTAVAM
SEM SUCESSO SABER LEVANTAR O NOME DA VÍTIMA ENTER OS ASSUSTADOS MORADORES DE
RUA DA SÉ QUE CONHECEM A LEI-nessas horas -"NINGUÉM VIU NADA,NINGUÉM SABE DE
NADA"
Escrito por nicomedesoliveira às 11h20
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A DIFERENÇA ENTRE QUEM SAI DAS RUAS E QUEM NUNCA VAI SAIR É A CAPACIDADE DE SONHAR!
"Eu não sou uma excessão,na rua tem talentos raros mais valiosos que diamantes,falta-lhes oportunidades."
tiaonicomedes@hotmail.com
Escrito por nicomedesoliveira às 16h03
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Século 21 convive com um novo perfil de morador de rua
Cerca de 1% da população de uma cidade do porte de São Paulo, com aproximadamente 18 milhões de habitantes, vive em situação de rua. Mas o perfil do morador de rua atual não é mais representado pela figura do imigrante, geralmente negro, com pouca escolaridade e desempregado. Aliás, não há perfil homogêneo para traçar a população que vive nas ruas, como define Aldaíza Sposati, secretária de Serviço e Assistência Social do Município de São Paulo.
Apesar de fatores como demência, abandono, drogas e álcool serem responsáveis por levarem algumas pessoas à viverem nas ruas, segundo Aldaíza, a exclusão social e econômica ainda é a grande vilã. O tema foi amplamente debatido durante o Seminário Internacional “Rompendo a barreira da exclusão: populações de rua e políticas públicas”, realizado pela Faculdade de Saúde Pública da USP, nesta última segunda-feira, 25/08.
Marcio Pochman, secretário da Secretaria de Desenvolvimento, Trabalho e Solidariedade do Município de São Paulo, enfatizou que existe hoje um novo tipo de morador de rua, formado por pessoas que já tiveram carteira de trabalho assinada, foram chefes de família e são brancos. “Não é difícil também encontrar pessoas que falam uma segunda língua ou que têm diploma universitário”, lamenta.
Segundo Pochman, o atual modelo econômico neo-liberalista é perverso quando o assunto é exclusão social. “A vítima da exclusão social, inclusive aquela que acaba indo morar nas ruas, torna-se a culpada pelo seu desemprego. Para os padrões atuais, a pessoa está nessa situação porque não preparou para o mercado, porque não fez direito a lição de casa”, afirma.
Pior: para ele, esse mesmo modelo econômico “impede a inclusão social, principalmente pelo mercado de trabalho formal, que está em crise”, afirma.
Enquanto a situação não é apaziguada, tentativas de amenizar o problema dos moradores de rua pelo visto não faltam. Segundo Aldaíza Sposati, a prefeitura de São Paulo tem desenvolvidos programas de acolhimento e instalação de albergues em diferentes pontos da cidade.
Entretanto, os programas mais eficientes são aqueles que buscam a integração social dos moradores de rua por meio de projetos que incentivem a criação de cooperativas de trabalho. “Os catadores têm se mostrado uma maneira eficiente de prover pelo menos uma renda para os moradores de rua. O problema é a intervenção de terceiros que oferecem o serviço visando lucro próprio”, afirma Aldaíza.
Participaram também do debate o Dr. Gonzalo Vecina Neto, secretário da Saúde Pública do Município de São Paulo, além de representantes de organizações internacionais do Canadá, Japão, França e Estados Unidos envolvidos na questão.
(Bianca Justiniano – 26/08/03)

Escrito por nicomedesoliveira às 15h52
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