fonte www.guiadasemana.com.br Uma história de vida Foto: Sebastião Nicomedes Ao mesmo tempo que viver ao relento parece não ser a melhor escolha para a maioria das pessoas, a alternativa pode ser a única saída para indivíduos em situações críticas. Fato que se tornou realidade na vida de Sebastião Nicomedes de Oliveira. Vítima de um acidente, no ano de 2003, que lhe tirou os movimentos da mão esquerda, restou a ele a opção de morar nas ruas.
"No princípio, eu acho que não tinha elucidado o que havia acontecido comigo. Tinha a impressão de viver um pesadelo insone; nos dois primeiros dias, o medo e vergonha me impediam de dormir. A partir do terceiro dia, eu já tinha perdido a questão dos princípios e o cansaço dominou o corpo, passei a dormir durante o dia e noite", recorda.
Comum à rotina de moradores de rua, o desprezo constante da sociedade passou a fazer parte da vida de Sebastião. "Era comum que as pessoas passassem por mim, xingando e discriminando a minha situação. Em alguns casos, ainda que eu tivesse dinheiro para comprar um alimento, era enxotado dos lugares, feito uma aberração. Eu vivia em liberdade vigiada, me sentia eternamente perseguido, como se qualquer um tivesse o direito de me dispensar maus tratos", conta.
Não obstante às dificuldades, Sebastião superou essa fase. Inspirado pela cultura urbana, ele foi acometido pelo dom da literatura. "Certo dia um senhor me pediu que relatasse um diário dos moradores de rua para dividir essa realidade com outras pessoas, resolvi atender o pedido para tornar público um problema da sociedade, pois não é aceitável que as pessoas continuem vendo, sem enxergar, achando absolutamente normal o fato de uma parcela da população viver nas ruas, pois essa realidade não é comum, tampouco digna", reflete.
Sebastião exerceu os ofícios de entregador de revistas e carroceiro, mas logo teve seu talento reconhecido, quando seu texto Diário dum Carroceiro ganhou os palcos do teatro Fábrica São Paulo. O espetáculo, dirigido por Iara Brasil, foi o primeiro do gênero a estrear no circuito profissional. A peça é um monólogo que narra a rotina de um carroceiro, durante as festas de fim de ano
Depois três anos vivendo ao relento, Sebastião abandonou as ruas e reconquistou sua dignidade. Hoje, ele atua como roteirista, milita em frentes políticas em prol da população desabrigada e catadores de lixo e tem proposta de trabalhar como arte-educador no projeto alfabetização solidária.
*Confira a peça Diário dum Carroceiro , em cartaz no teatro Sérgio Cardoso.
Fórum Qual é a sua opinião a respeito da população em situação de rua?
Escrito por nicomedesoliveira às 18h49
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TEATRO: MONÓLOGO
Diário dum Carroceiro
Espetáculo relata o cotidiano de moradores de rua
Diário dum Carroceiro. A peça conta à história de Quim, um catador de materiais recicláveis, que vive nas ruas. A carroça é seu meio de trabalho, e o diário, sua única companhia. Na rotina das ruas, Quim enfrenta e reflete sobre a cidade despreparada para sua realidade. Com toques de humor e ar crítico, nos leva as novas reflexões sobre as grandes cidades e seus cidadãos.
Foto: Divulgação.
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Escrito por nicomedesoliveira às 10h16
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A DIFERENÇA ENTRE QUEM SAI DAS RUAS E QUEM NUNCA VAI SAIR É A CAPACIDADE DE SONHAR!
"Eu não sou uma excessão,na rua tem talentos raros mais valiosos que diamantes,falta-lhes oportunidades."
tiaonicomedes@hotmail.com
e também orkut
Escrito por nicomedesoliveira às 22h27
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8/08/07-fonte estadão A sonoridade da cena paulistana
...satisfação foi a montagem de o Diário dum Carroceiro, texto escrito por um não autor de teatro, ex-morador de rua, o Tião Nicomedes. Nesse trabalho, houve um empenho espontâneo e rico de toda a pequena equipe de criação (encabeçada por uma corajosa...
Escrito por nicomedesoliveira às 16h59
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