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Jorge Gontijo/EM/D.A Press |
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Reclamação no bairro é de que muito lixo fica acumulado na calçada |
Um casal de moradores de rua está tirando o sossego de pessoas que residem na Rua Dom José Pereira Lara, no Bairro Coração Eucarístico, na Região Noroeste de Belo Horizonte. Há dois anos, Geraldo Paula, de 33 anos, e Antônia Paula, de 34, fizeram do passeio a própria moradia. Segundo relato de pessoas que moram na região, é praticamente impossível caminhar pela calçada, já que no caminho há cobertores, resto de comida, caixas de papelão, garrafas e muito mau cheiro. Além disso, há reclamação de que o casal bebe muito e, muitas vezes, briga durante toda a madrugada, não deixando os vizinhos dormir.
Muitas denúncias já foram feitas, por moradores, à prefeitura e à Polícia Militar, no entanto, segundo eles, nenhuma medida foi tomada. Quando souberam que havia pedidos de retirada, segundo uma moradora que prefere não se identificar, o casal ameaçou as pessoas que moram na região. “Eles se sentem donos do passeio e da rua, fizeram uma proteção com papelão e madeira para dormir e acumulam qualquer entulho que encontram por perto. Jogam na rua restos de comida e lixo que os garis já nem recolhem por, também, se sentirem ameaçados. O mau cheiro é desconfortável para todos que residem ou transitam nas imediações”, reclama a moradora.
Segundo ela, além da imundície do local, o casal agride os moradores. “Nos sentimos inseguros, eles nos ameaçam, falam palavrões. Além disso, sabem a rotina de todos que moram por aqui e nosso receio é de que eles, em troca de alguma bebida, relatem a um ladrão quem está ou não em casa”, diz. Para piorar a situação, outro morador de rua se juntou à dupla. “Há ainda cachorros, que avançam em nós. Enquanto eles passam o dia inteiro deitados e bêbados”, acrescenta.
RESISTÊNCIA Desde 2006, o Serviço de Abordagem de Rua da População Adulta da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), na Regional Noroeste, acompanha esses moradores. Na tentativa de que eles aceitem sair dali, já foram oferecidos abrigo, albergue e outras opções, porém, há muito tempo eles resistem à idéia. “Geraldo está doente, ele é alcoólatra e precisa de cuidados. Depois de um acompanhamento individual, conseguimos convencê-lo a se internar em uma clínica para tratar o vício. Para Antônia, que é catadora de papel, estamos procurando um barraco para que ela possa alugar”, afirma a coordenadora do serviço da PBH, Ana Amélia Costa Silva de Avelar. Segundo ela, não é permitido obrigá-los a sair do local. “Nosso trabalho é dar assistência a eles e encaminhá-los, quando aceitam, a um lugar específico”, explica.
Apesar de a prefeitura ter afirmado que Geraldo se trataria numa clínica, o homem desconhece a informação. “A prefeitura está me prometendo isso há um bom tempo, mas não acredito em nada. Eles querem é nos levar para um abrigo, onde serei mal tratado e não irei me alimentar direito. Aqui, muitos moradores, que não têm preconceito, me dão comida e roupa. Daqui eu não saio”, avisa.
Segundo um morador que também preferiu não ser identificado, com medo das ameaças do casal, o fato de muitas pessoas darem assistência a Antônia e Geraldo faz com que eles não queiram mais sair dali. “Vivemos um impasse há dois anos. Há até desvalorização de imóveis, já que ninguém quer mais morar aqui. Precisamos que a PBH haja com mais firmeza”, diz.
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